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terça-feira, 22 de dezembro de 2020

MÊDA - MARIA ALVA E O SAPATEIRO - lenda nº 102

 

Texto e desenho de Santos Costa

Numa casa junto à torre mais alta do castelo vivia uma rapariga que dava pelo nome de Maria Alva. Quem a conhecia, sabia que nunca saía de casa, pelo que era apenas vista à janela de varandim. Viam-na, pois, homens e mulheres a meio corpo, da cintura para cima.

A beleza de Maria Alva não deixou indiferente o mais bonito rapaz da terra, que era sapateiro de profissão. Ela achou que devia pedir à rapariga para que casasse com ele; e ela, que logo aceitou, apenas colocou a condição de ele fazer uns sapatos para ela calçar.

“Pois irei fazer-vos o mais belo par de sapatos que já passaram pelas minhas mãos de artesão!”, prometeu o sapateiro.

Como não podia tirar as medidas dos pés de Maria Alva, o sapateiro combinou com a criada da rapariga para que ela o fizesse. E logo combinaram os dois que a criada espalharia farinha na casa, para que as pegadas deixadas pelos pés de Maria Alva permitissem à criada retirar delas as medidas exatas para a perfeição da obra.

Tal como o previsto, Maria Alva pisou o chão, deixando nele marcadas as plantas dos pés. Mas… ah! Apenas um dos pés tinha o formato normal da palmilha humana; o outro, bifurcava-se em dois pequenos triângulos como se fosse feito por uma cabra. Aflita, a criada saiu a correr para contar a novidade ao sapateiro.

“Minha senhora e vossa amada tem um pé de cabra; o outro é como o da gente, com dedos e tudo.”

Triste ficou o sapateiro. Julgando-se enganado, passou debaixo da janela da namorada e suspirou desencantado:

“Ai Maria Alva, Maria Alva, cara linda e pés de cabra.”

    Ao ouvir isto, Maria Alva entrou em casa e, vendo que o seu segredo tinha sido descoberto, tomou-se de profundo desgosto e atirou-se da janela, morrendo no chão da rua. Terá assim nascido o nome de Marialva.

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