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terça-feira, 21 de abril de 2015

VILA NOVA DE FOZ CÔA


Uma mulher casada de Freixo de Numão teve necessidade de amassar o pão e verificou que não tinha água nos cântaros da casa para aquecer e misturar na farinha. Era meia-noite, mas como tinha necessidade de ter o pão cozido de madrugada, disse ao marido:
“Olha, homem, não tenho uma pinga de água para fazer a amassadura do pão. Sei que é tarde, mas tenho que ir à fonte com o cântaro.”
O homem franziu o sobrolho e disse-lhe, quase em súplica:
“Olha, mulher, não vás. Agora não vás!...”
A mulher achou a preocupação do homem despropositada, fosse ela qual fosse, pelo que teimou em ir e foi. Pegou no cântaro e dirigiu-se à fonte de chafurdo da Bica.
Quando ia a mergulhar o cântaro na água da fonte, veio um cão do escuro e rasgou-lhe com os dentes um saiote de baeta vermelha que levava vestido.
Levou o cântaro mal cheio e correu até casa, não fosse o caso de o cão voltar a atacá-la. Chamou pelo homem para lhe contar o sucedido quando reparou, mal ele apareceu, que o marido trazia nos dentes alguns fios do saiote rasgado.
“Foste tu que me atacaste?”
Para espanto dela, ele disse:
“Fui eu, sim senhor. Tenho o fado de lobisomem. Se mo queres tirar tens de me picar com um aguilhão, desde que não me atinjas os olhos. Só então o meu fado chegará ao fim e descansarei de andar como um lobo a atormentar toda a gente. Em noites de lua cheia, até ao amanhecer, tenho de me despir no meio de qualquer caminho ou encruzilhada, dar cinco voltas, espojar-me no chão em lugar onde se espojou outro animal”

Assim foi feito. Na noite de lua cheia seguinte, a mulher picou-o e acabou com o fado ao marido.

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