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quarta-feira, 15 de abril de 2015

CELORICO DA BEIRA



Sabe-se que durante a chamada Guerra Peninsular, que ocorreu entre o primeiro e o segundo decénio do séc. XIX, os invasores franceses não só conquistavam a terra e exerciam sobre as populações uma série de sevícias e assassínios, como praticavam atos de roubalheira e vandalismo por onde passavam.
Perante as aldeias abandonadas e perante uma propositada resistência das populações através do sistema de “terra queimada”, escondendo-se as riquezas, colheitas e outros bens dos naturais, era nos templos, igrejas e capelas, que os soldados de Napoleão davam largas à sua rapina ou à sua sanha destruidora.
Reza a lenda que os soldados franceses entraram em Maçal do Chão, espalhando o terror e fuzilando os moradores que não conseguiram ou não quiseram fugir. Não encontraram mantimentos que satisfizessem os seus suprimentos de campanha, pois os habitantes levaram ou destruíram o que semearam para não deixarem aos invasores qualquer meio para subsistirem.
Assim, como era seu hábito, procuraram encontrar alguns valores em ouro ou mesmo objetos que pudessem trocar por dinheiro, na igreja matriz. Não se sabe o que levaram, mas não terão esquecido a forma como vinham praticando desde que passaram a fronteira: tudo o que não lhes interessava, queimavam.

Preparavam-se então para deitar o fogo à igreja matriz, já com os archotes acesos e os rastilhos de pólvora espalhados para se propagar com maior violência o incêndio, quando os dos militares reparou que num dos altares estava um santo para eles especial e de grande devoção em França: S. Luís, que foi rei de França como Luís IX, cuja vida piedosa e a sua participação nas Cruzadas o levaram ao santificado. Perante esta imagem do santo, deixaram a igreja intacta.

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