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quarta-feira, 18 de maio de 2016

SABUGAL



Em outra lenda da Ruvina se referiu que o rei veio a esta terra, tendo antecipadamente deixado a ordem na qual uma pessoa de cada povoação, pelo menos, devia esperá-lo à sua passagem e acompanhá-lo. Da Ruvina cumpriu a obrigação uma senhora idosa, mas ao rei passou despercebida a sua presença, pelo que impôs a todos os habitantes, como castigo, um pesado encargo. Vergados ao peso do imposto, os habitantes decidiram mandar um emissário ao rei, tendo escolhido um dos vizinhos mais importantes, de seu nome Manuel Gonçalves.
Antes de partir para Lisboa, o emissário cravou um prego no sítio onde depois se construiu a igreja do Espírito Santo, dizendo:
“Aqui edificarei uma igreja se vencermos o pleito!”
Assim partiu o homem, levando consigo alguns criados e uma arca recheada do dinheiro que ele foi juntando.
Chegado à corte, o rei acedeu recebê-lo na sala do trono onde se encontrava com a rainha. O emissário disse-lhe então que o tributo era injusto, pois uma velha da povoação cumpriu a ordem real. O rei ripostou:
“Que provas há disso? Que garantias dais?”
O Manuel estendeu uma manta no chão, bem diante do rei e da rainha, onde despejou o conteúdo da arca. Os reis olharam estupefactos para a riqueza e mais admirados ficaram quando o ouviram dizer:
“O meu fiador está aqui.”
“De onde te veio tanto dinheiro?”
“Do mel das minhas colmeias e dos ovos das minhas galinhas.”
A rainha disse:
“ Colmeia que tanto dá deve todos os anos ser crestada.”
“Não” emendou o rei, “são estes os que trazem o reino em pé.”

E acabou com o tributo.

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