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segunda-feira, 16 de maio de 2016

ALFÂNDEGA DA FÉ



No tempo em que os mouros dominavam o território que hoje é Portugal, havia um emir que possuía um castelo no Monte Carrascal, em Chacim. Este emir, de seu nome Abdel-Ali, era um tirano que, para além de tributar, forte e feio, os naturais, ainda lhes exigia a entrega das donzelas como tributo especial. Decretou, assim, que toda a donzela que fosse levada ao altar, a primeira noite de casamento seria passada na cama dele.
A poucos quilómetros de distância, numa outra fortaleza, situada no Castro e perto de Alfândega, mandava o cristão D. Rodrigo de Melo. Este D. Rodrigo tinha uma filha muito bela, chamada Teodolinda, a qual, receosa do direito de pernada exigido pelo emir na noite de núpcias, não queria casar.
Porém, o emir viu-a e desejou-a para si, não só para a primeira noite como para todas que a ele aprouvesse. Logo exigiu a D. Rodrigo, sob pena de lhe arrasar o castelo, a entrega da filha.
Em desespero, D. Rodrigo acorreu ao auxílio de duzentos cavaleiros de Alfândega, capitaneados por Pedro Malafaia. Quis o acaso que D. Rodrigo, quando foi fazer o pedido, levasse consigo a filha e esta se encontrasse com Casimiro, filho de Pedro Malafaia. Logo se enamoraram um do outro e a decisão de casarem ficou decidida entre ambos.
Abdel-Ali não gostou de saber a novidade e mandou os seus guerreiros raptarem a noiva no dia do casamento e antes que este se realizasse. Esta empreitada correu bem aos seus homens, porque os duzentos Cavaleiros das Esporas de Ouro (assim chamados), ainda não tinham chegado para vigiarem a cerimónia e impedirem qualquer ataque do mouro.

Levada para o Monte Carrascal, em seu socorro partiram os cavaleiros de Pedro Malafaia, entre eles, Casimiro e o pai. O embate entre os soldados mouros e os cristãos deixou o campo juncado de cadáveres, mas os cristãos lutaram com tal denodo que conseguiram vencer e entrar na fortaleza do tirano. Casimiro, que ia à frente, conseguiu entrar no quarto do emir, na altura em que este, vendo que não lhe era dado violar a noiva, se preparava para a matar com um punhal. Casimiro, que levava uma lança, trespassou o emir e exibiu a cabeça dele do alto das muralhas.

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